Nascido em Estrasburgo, Alsácia (Alemanha), em 04.12.1892, era filho de Augusto e de Louise Esemann Roesler. Naturalizou-se brasileiro em l932, quando completava13 anos de chegada ao Rio de Janeiro (1919) .
Além de piloto, era engenheiro-mecânico, tendo se formado na Escola Politécnica de Estrasburgo em setembro de 1912. Trabalhou em algumas fábricas como engenheiro-assistente.
Em Berlim, teve seu primeiro contato com a aviação voluntariamente e na Escola do Parque de Aeronáutica, em Darmastadt. Transferiu-se depois para a Escola de Aviação da Fábrica Aviatik, em Freiburg. Em março de 1915, recebeu o brevê militar. Foi piloto de esquadrilha, bombardeio, proteção, observação e de fotografias aéreas. Em 1917 e 1018, foi piloto de provas em Alterburg e Gotha e chefe de pilotos da Escola de Observadores e Atiradores Aéreos. Recebeu duas condecorações: "Cruz de Ferro" e três medalhas por bravura.
Ao conhecer os irmãos italianos Enrico e João Robba e o oficial da Força Pública de São Paulo, tenente Reinaldo Gonçalves, pode então reingressar no fascinante mundo aviatório.
Em janeiro de l922, Fritz foi apresentado a diversos alunos dos Robba. Esses não possuíam muito tempo para dar instrução, uma vez que passavam longos períodos ausentes, em reides. Aceitou os pedidos para que ministrasse aulas de Voo nessa Escola. Havia entre os alunos, uma bela jovem chamada Thereza de Marzo que acabara de adquirir um avião francês "Caudron G-3" , de 120 HP. Ela, como alguns alunos, começara a voar quase um ano antes e estava há meses no chão, devido à ausência dos instrutores, os irmãos Robba. Essa aluna veio a tornar-se a primeira mulher brasileira a voar
e a receber o brevê de piloto-amador no Brasil (nº 76), em 08 de abril de 1922.
Fritz também foi instrutor de Voo na Escola dirigida pelo ten. Antonio Reynaldo Gonçalves que ficava em Indianópolis, mas o fez apenas por um curto período. Depois, viajou pelo interior fazendo reides e propaganda aérea.Ainda em 1922 abriu uma oficina mecânica e uma garagem em sociedade com o irmão de Thereza de Marzo.
Revezava-se nas atividades como aviador e engenheiro, fazendo o
que era viável na época . Em l923, comprou do piloto Edu Chaves muitas peças e aviões para a Escola de Aviação Ypiranga que lhe pertencia. Com a ajuda de Antonio, irmão de Thereza, construiu um hangar. Os recursos vieram
das idas diárias da aviadora à cidade de Santos, onde por sugestão do prefeito de Santos, recorria aos comerciantes para a obtenção dos donativos que assim,
proporcionaram a construção do hangar batizado como Thereza de Marzo. Ainda em 1923, venderam-no e mudaram-se para o campo de Marte, logo após Fritz ter encerrado as atividades da Escola de Aviação Ypiranga e do Clube de Planadores também por ele criado.
O hangar em Marte recebeu o nome de "Maneco", em homenagem
a Manuel de Lacerda Franco que era amigo de Fritz e de Thereza.
Fritz conseguiu um contrato com a Companhia Anglo-México, do
Estado para efetuar Voos de propaganda, recebendo cerca de 50 contos de réis
por 100 horas de Voo. Acontece que antes de terminar o combinado, ambas as partes entraram num acordo e cancelaram o que restava para ser feito.
Em 1928/29, o piloto alemão trabalhou com os aviões Nieuport para
a Cia. Nistri-Roma que fazia levantamento aerofotogramétrico, na cidade de São Paulo.
Em 1933, Fritz ajudou o Sr. Eisenbach a formar a Aero-Lloyd-Iguaçu. Nesse ano, fundou a Empresa Aeronáutica Ypiranga em sociedade com Henrique Santos Dumont e o aviador Orton Hoover .
Fritz construiu os primeiros planadores em nosso país: EAY-101
(primários e secundários) . Foi o projetista e construtor do avião "Ypiranga" que pretendia fabricar em série e que era um excelente equipamento para Voos de turismo e ensino de pilotagem. Foram construídos apenas 5 aparelhos
EAY-201. O 1º desses, o PP-TBF foi homologado no Rio, em novembro de 1935 e foi não só o único dos Ypirangas a ser inscrito no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), como também, o primeiro avião do Brasil a dele fazer parte. O último avião dessa pré-série foi trasladado em Voo em 10/12/1970, do Campo de Marte (SP) para o Museu Aeroespacial do Campo dos Afonsos (RJ) e ai se acha exposto à visitação. Seu prefixo é PP-TJR. O piloto foi Lucy Lúpia.
A Empresa Aeronáutica Ypiranga tinha como presidente o Dr.
Henrique Santos Dumont, como diretor- técnico o aviador Fritz e ainda, Orton Hoover que permaneceu por pouco tempo no grupo. A EAY achava-se instalada no Campo de Marte, em Santana. O projeto do Ypiranga foi vendido por Fritz Roesler para a Companhia Aeronáutica Paulista de Francisco Pignatari . O EAY-201 originalmente tinha o motor francês Salmson AD radial que foi substituído pelo motor Franklin de 65 HP. Sofreu ainda outras alterações antes de ser vendido. Na C.A.P. o Ypiranga veio a ser modificado e aí, transformou-se no CAP-4 Paulistinha, porém com o mesmo motor de 65 HP. Foi largamente difundido nos aeroclubes brasileiros como avião de instrução primária, durante décadas.
O NASCIMENTO DA VASP - 04. 11. 33
O sonho de Fritz Roesler era o de criar uma linha aérea entre São
Paulo e Ribeirão Preto. Conversou com Henrique Santos Dumont, sobrinho do "Pai da Aviação" e com o engenheiro Jorge Corbisier. Eles adoraram a idéia.
Adquiriram dois aviões "Monospar" por 200 contos de réis cada um. Levaram
2 anos juntando o dinheiro necessário até ser possível efetuar a transação. A capacidade dos aparelhos era de três passageiros e um piloto e portavam as matrículas PP-SPA e PP-SPB. Fritz ocupou o cargo de diretor-técnico durante seis meses após a fundação da VASP. Os acionistas (72), a princípio, eram somente 8 pessoas ilustres de São Paulo, pertencentes à alta sociedade. Com o tempo, as coisas na VASP melhoraram, principalmente devido ao interventor federal Armando Salles de Oliveira, amigo do Dr. Ademar de Barros. O capital da empresa aumentou para 3 mil contos de réis, passando o Estado a ser acionista majoritário. Um outro fundador foi o Eng. Jorge Corbisier, da Prefeitura de São Paulo e que idealizara o nome VASP.
Em 1935, época em que a empresa de aviação quase fechara, Fritz já havia
voltado a dirigir sua Escola de Pilotagem. Contagiava seus alunos com um enorme entusiasmo pela aviação.
Fritz Roesler foi um brasileiro de coração. Dedicou quase toda sua
vida ao nosso país e ao exercício de uma profissão apaixonante. Eternizou seu esforço no legado de seus planadores e dos Paulistinhas. Faleceu em São Paulo em 02.07.71, junto de Thereza e foi sepultado no Cemitério do Araçá.
Diploma da Fédération Aéronautique Intérnationale - número 79 , como piloto-amador e 58, como piloto-mercante.
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CONDECORAÇÕES :
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| Alemanha
| Cruz de Ferro e Três medalhas por bravura |
| Brasil
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Medalha "Pioneiros da Aeronáutica" |
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| A Construção Aeronáutica no Brasil
de Roberto Pereira Andrade |
Ed. 1976 |
| Breve História da Aviação Comercial Brasileira
de Aldo Pereira |
Ed. 1987 |
| História Geral da Aeronáutica Brasileira - vol. II
do INCAER |
Ed. 1990 |
| Voo Proibido - Os apuros de uma pioneira
de Cmte. Lucy Lúpia Pinel Balthazar |
Ed. 1992 / 2001/2003 / 2006 /2010 |
| The 100 greatest women in aviation de Liz Moscrop and Sanjay Rampal |
Ed. 2008 |
The Conquistadors of the Sky -A History of Aviation in Latin America - de Dan Hagedorn |
Ed. 2008 | -
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Jornais
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| Diário de São Paulo
|
24.03.29 /
23.11.40 /
11.05.41 |
| Folha de São Paulo |
03.07.71
|
| Correio Metropolitano |
26.11.72 |
| A Gazeta |
20.11.61 /
04.12.44
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